Entrevista: Selo BH Sustentável

By md 3 anos agoNo Comments

Como anda a iniciativa pioneira da Prefeitura de Belo Horizonte de criação de certificação ambiental para as construções da cidade? A Projelet conversou com um dos gestores membro da equipe que analisa as propostas de certificação. O arquiteto urbanista, Cyleno Reis Guimarães, é Gerente de Informações Ambientais, da Gerência de Planejamento e Monitoramento Ambiental, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Projelet – Por que a Prefeitura criou esta certificação?

Cyleno – Ele é um dos desdobramentos das discussões feitas pelo Comitê Municipal de Mudanças Climáticas, criado em 2006. Representantes da sociedade civil, da academia e do governo, se reúnem mensalmente para discussões técnicas e políticas, focadas na busca de soluções para a redução das emissões de gases do efeito estufa.

Projelet – Como você compara o Selo BH Sustentável a outras certificações ambientais?

Cyleno – O grande diferencial dele é ser totalmente gratuito. Não são cobradas taxas nem as auditorias. Outro aspecto é que focamos na redução de impactos no uso do empreendimento. O processo de construção não faz parte da certificação, mas sim o resultado dele.

Projelet – Qual o perfil dos empreendimentos que têm conquistado o Selo?

Cyleno – Em sua maioria são comerciais. Dentre todos os certificados, eu diria que apenas três são residenciais. Por influência da Copa de 2014, hotéis e restaurantes são maioria. Mas também há edifícios comerciais, empresas de ramos diversos e unidades educacionais. Nosso intuito é certificar os mais diversos tipos de empreendimentos.

Projelet – Há similaridade entre as soluções adotadas por eles?

Cyleno – No que tange à economia de energia, dentre os itens mais empregados estão a utilização de lâmpadas de led, sensores de presença em áreas de circulação, priorização de itens com o selo Procel A e elevadores sem casa de máquinas. Para gerar redução no consumo de água, redutores de vazão, torneira com sensor, vasos com duplo acionamento, chuveiros e ar condicionado com reaproveitamento de água, além de captação de água da chuva são algumas das soluções que têm sido empregadas. A gestão dos resíduos, por sua vez, é feita basicamente por meio de coleta seletiva de sólidos e de óleo de cozinha.

Projelet – Como as empresas têm encarado a necessidade de investimentos para adequar os empreendimentos às exigências da certificação?

Cyleno – Os critérios foram estabelecidos em conjunto com entidades do segmento e são bastante acessíveis às construções de modo geral. Por vezes, basta uma revisão mais atenta da memória de cálculo para constatar que o empreendimento já atende ou está em vias de atender aos requisito exigidos pelo programa.

Projelet – Quantas certificações já foram emitidas?

Cyleno – Desde 2012, contabilizamos 47 empreendimentos certificados, sendo dois na categoria bronze, três na prata e o restante na categoria ouro, respectivamente para empreendimentos com uma, duas ou três dimensões certificadas. Atualmente estamos com pelo menos outras dez propostas em andamento.

Projelet – Quais as principais dificuldades a serem superadas para ampliar as certificações?

Cyleno – Precisamos, por um lado, tornar a certificação e o programa mais conhecidos. Por outro, percebemos que o mercado requer um volume maior de profissionais capacitados para o diagnóstico e a indicação de soluções ambientais adequadas para o empreendedor. Há ainda a necessidade de ampliar a visão das empresas para os benefícios em termos de economia em médio prazo e marketing ambiental. Muitos insistem em contar com benefícios fiscais não previstos no programa.

Projelet – Quais as perspectivas para as construções sustentáveis em Belo Horizonte?

Cyleno – O movimento só tende a crescer. Em dois anos, temos percebido um aumento na procura pela certificação. Além de o planeta dar esse incentivo, com a colocação das mudanças climáticas na ordem do dia, trata-se também de um importante diferencial de mercado cuja influência é cada vez maior na decisão de compra.

Informações detalhadas sobre os critérios e o processo de certificação estão disponíveis no site http://cesa.pbh.gov.br.

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