Economia doméstica de água – entrevista

By md 3 anos agoNo Comments

A lógica é simples e, ao mesmo tempo, perversa. Quando um produto está em falta no mercado, os locais que os disponibilizam expõem tais itens com preços que levam o consumidor à incredulidade. A lei da oferta e da procura explica muita coisa em nosso cotidiano, repleto de situações que envolvem a troca de produtos e serviços pelo valor monetário referente a cada item.

A água, um bem de inestimável valor sem o qual a vida é impossível, não foge à regra. A recente crise no abastecimento hídrico em cidades de São Paulo e do Sul de Minas Gerais ascendeu o alerta vermelho para a possibilidade de racionamento e do consequente aumento do valor da água.

Segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da Organização das Nações Unidas (ONU), há 84 anos não se registra no Brasil tão baixo índice pluviométrico como em 2014. Apesar das chuvas de novembro estarem caindo em terrenos sedentos, os reservatórios seguem batendo recordes negativos, com o decréscimo do volume de água. A situação não indica para um horizonte de curto prazo animador.

O consumo médio de água por parte do brasileiro está em 200 litros por dia. De acordo com estudos da ONU, o homem gasta mais da metade dessa água no banheiro. Tomar banho, lavar as mãos, escovar os dentes e dar descarga correspondem a 58% do consumo de uma casa.

Para se esquivar dos problemas decorrentes do encarecimento da água e contribuir para que o racionamento não seja um fantasma que assuste por muito tempo, medidas simples podem ser tomadas dentro de casa.

No dia 12 deste mês, o diretor da Projelet, Weber Carvalho, concedeu entrevista à Rede Super e apontou possibilidades para a economia doméstica. A entrevista aconteceu no condomínio Vile Celestine, edifício construído pela PHV Engenharia e com projetos prediais desenvolvidos pela Projelet.

O principal ponto abordado por Carvalho foi as instalações hidráulicas. Ele chamou a atenção para a possibilidade de vazamentos. “Esse é um problema que pode demorar a ser percebido. Dependendo da extensão desse vazamento, pode haver uma infindável perda de água. Surpresa maior vem com a chegada da conta”, alerta.

Para se perceber possíveis vazamentos com maior agilidade, Carvalho colocou como alternativa o acesso fácil às instalações hidráulicas. No Vile Celestine, por exemplo, tubulações da rede pluvial, do esgoto, de água quente e fria estão estrategicamente escondidos por portas de MDF nos corredores do edifício. Qualquer problema com o encanamento dos quartos pode ser facilmente detectado e reparado.

A válvula de pressão é outro ponto que deve ser observado. Principalmente em edificações cuja altura é uma variável importante. “Os pavimentos mais baixos têm um excesso natural de pressão. Através dessa válvula, nós conseguimos reduzir isso. Essa pressão acaba fazendo com que o gasto seja maior em lavatórios, por exemplo. Quando a água espirra em você, isso acontece em função dessa pressão. É desconfortável e gasta mais água. Então, com esse mecanismo, conseguimos fazer com que o consumo seja adequado e o uso confortável”, explica o diretor da Projelet.

Há outras medidas simples que podem reduzir drasticamente o consumo de água em residências. As melhores alternativas estão onde mais se gasta: no banheiro. As novidades estão nas duchas que agregam ar, diminuem a vazão de água dando a impressão de que um volume maior sai por elas. Dependendo das peças utilizadas, a economia pode chegar ao dobro ou triplo, ao se comparar com os chuveiros que possuem peças tradicionais, que podem ter vazões de até 40 litros de água por minuto.

Outro método é a implantação de sanitários com válvulas de descarga inteligentes, ajustadas para o consumo de três litros, para resíduos líquidos, ou seis, para resíduos sólidos. A título de comparação, as descargas convencionais despendem de 12 a 15 litros por descarga.

Segundo Carvalho, a substituição de chuveiros, vasos sanitários e pensar em uma instalação hidráulica mais acessível podem corresponder a uma economia de água de até 50%.

Category:
  News

Leave a Reply

Your email address will not be published.

três × 1 =